domingo, 15 de maio de 2016

Estônia pede para que a OTAN mantenha seus pesados equipamentos militares por perto

Parceiros norte-americanos e estônios treinam em conjunto (foto de arquivo)

 O ministro estoniano da Defesa, Hannes Hanso, declarou neste domingo (15) que os pesados equipamentos militares dos aliados da OTAN devem permanecer o mais perto possível da Estônia para garantir a segurança do país contra a Rússia.

Nas palavras do ministro, os equipamento da aliança precisam permanecer não mais longe do que a mil milhas de seu país.

“Queremos que os pesados equipamentos militares dos aliados permaneçam em caráter permanente não mais distante do que a mil milhas de nós. Da nossa parte, trabalhamos juntamente com a Letônia e a Lituânia para garantir aos aliados regime um de fácil locomoção através das nossas fronteiras, bem como oferecer-lhes um excelente apoio” – disse Hanso ao discursar em Tallin durante uma conferência internacional que leva o nome do ex-presidente da Estônia Lennart Meri.
 
Nas palavras do ministro, não existem perspectivas de curto prazo para a melhora da situação com a segurança da região do Báltico. Segundo ele, a próxima reunião da OTAN em Varsóvia decidirá o possível aumento da presença de exércitos da OTAN nas suas fronteiras orientais. “Nossa região precisa de grandes exércitos dos aliados” – destacou o ministro.

 

Falta de recursos deixa 46% da frota da Marinha parada

Restrições orçamentárias afetam projetos das Forças Armadas; Jungmann afirma que custeio consome quase totalidade dos recursos

 


  O presidente em exercício Michel terá de lidar com o descontentamento nas Forças Armadas com as graves restrições orçamentárias que vêm enfrentando nos últimos anos. A Marinha está com 46% da frota parada e sem navios de escolta suficientes para dar proteção às plataformas do pré-sal. A previsão é que o projeto de construção do submarino com propulsão nuclear atrase mais quatro anos, sendo concluído após 2025 – última projeção feita.

No Exército, a situação também é considerada complicada e houve necessidade de se fazer um redesenho do portfólio estratégico da Força. Os frequentes contingenciamentos exigiram redução drástica na linha de produção do blindado Guarani, que poderá levar a Iveco, fabricante do equipamento, a suspender a produção por falta de pagamento. Segundo informações, o Exército não terá recursos para pagar a empresa daqui a três meses.

guarani em movimento 


  Na Aeronáutica, não é diferente. Quase metade da frota está parada. A construção do avião cargueiro KC 390 só está em prosseguimento porque a Embraer, mesmo sem receber R$ 1,4 bilhão devido pelo governo federal, está bancando o projeto sozinha, que já sofre atraso de dois anos na sua certificação.

 “Quase a totalidade do orçamento (da pasta) hoje é consumido com custeio de pessoal, deixando em segundo plano projetos que são fundamentais para a garantia da soberania do País e para o avanço tecnológico que, apesar de serem germinados na Defesa, transbordam a Defesa e trazem benefício para todo o desenvolvimento do País”, disse ao Estado o novo ministro da Defesa, Raul Jungmann.

KC-390 

 “Precisamos criar base para ter uma previsibilidade para garantir desembolso de recursos que deem continuidade, em um ritmo adequado, dos projetos estratégicos evitando que projetos que deveriam durar cinco, seis anos, não durem 20 ou 30 anos, como estamos vendo hoje.”

Fronteiras

 Jungmann fez referência, por exemplo, ao projeto do Sistema Integrado de Monitoramento das fronteiras (Sisfron). “Ele é de importância vital para o País”, afirmou, para quem o Brasil tem de ter “um cuidado especial com suas fronteiras, especificamente com a Venezuela que hoje vive em uma instabilidade grande e que muitas vezes provoca uma migração para cá”.

O Sisfron começou a ser implantado em 2013, com prazo de conclusão de 10 anos. Só que, se for mantido o cronograma atual de repasses, ele só será finalizado em 2040, já com equipamentos obsoletos. O atraso impacta 22 empresas nacionais de alta tecnologia envolvidas no processo, com demissão de pessoal qualificado e eliminação da capacidade produtiva. Dos R$ 185 milhões que o Exército precisava, no mínimo, este ano, para dar prosseguimento ao projeto em 2016, a previsão – ainda sujeita a cortes – não chega a R$ 140 milhões.

 
 Os chamados restos a pagar do ano passado que já deveriam ter sido repassados às empresas que estão trabalhando no projeto somam R$ 236 milhões. A Marinha, cujos navios que estão operando tem idade média de 33,3 anos, também sofreu um forte baque no final de 2015, quando teve de suspender, devido a restrições orçamentárias, o projeto para controlar e vigiar a zona econômica exclusiva brasileira do Oceano Atlântico, chamado de Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul (Sisgaaz). O projeto, semelhante ao Sisfron das fronteiras, iria proteger uma área de 4,5 milhões de quilômetros quadrados do Atlântico, onde o Brasil tem imensas plataformas petrolíferas.

 No caso da Aeronáutica, a demora do governo em concluir a compra de 36 aviões de caça para atualizar a frota da Força Aérea Brasileira deixou ameaçada a capacidade do País de proteção do espaço aéreo nacional. O projeto só foi assinado em agosto passado, após se arrastar por mais de 12 anos. Outro projeto que sofre restrição orçamentária é o programa de dados, que permite o uso de comunicação por data link entre controladores de tráfego aéreo e pilotos. 

Fonte: Estado de São Paulo

quinta-feira, 12 de maio de 2016

Caças dos EUA realizam “Marcha do Elefante” na Coreia do Sul

Treinamento simula manobras necessárias para um ataque em massa de emergência com jatos militares

O exercício militar na base de Osan levou 40 aeronaves para a pista (USAF)
O exercício militar na base de Osan levou 40 aeronaves para a pista (USAF)

 A Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) divulgou nesta semana imagens de sua mais recente “Marcha do Elefante”. O treinamento, realizado no 9 de maio, na Coreia do Sul, envolveu dezenas de aeronaves, que foram para a pista lado a lado.

O exercício simula as manobras necessárias para um eventual ataque em massa com aeronaves militares. É uma forma de resposta rápida e efetiva, como em uma provável invasão hostil por terra ou pelo ar. A “marcha” completa envolve ainda decolagem dos aviões em formação, uma logo após a outra. É um dos maiores espetáculos da aviação.

Os aviões da USAF baseados na Coreia do Sul, no entanto, apenas taxiaram pela pista da base de Osan e voltaram para os hangares. O treinamento contou com caças F-16 “Falcon” e os aviões de ataque ao solo A-10 “Warthog”, todos de esquadrões dos EUA. A “marcha” contou com 40 aeronaves, todas armadas.


Marcha para norte-coreano ver

Treinamentos com grandes movimentações de aeronaves e equipamentos são uma mensagem de dissuasão política e demonstração de poder militar de um país. A marcha realizada pelos EUA, no caso, é endereçada a Coreia do Norte, que testou rescentemente sua primeira bomba de hidrogênio.

Os caças foram para a pista armados com mísseis de ataque aéreo e terrestre (USAF)  Todos os aviões da "marcha" operam a serviço da USAF na Coreia do Sul (USAF)  Consegue contar quantos aviões na fotos? (USAF)


Esse já é o segundo exercício desse tipo realizado pelos aviões da USAF na Coreia do Sul. Em março, foi realizada uma simulação de decolagem com formações de caças F-16, mas a noite.

A USAF também realizou uma "Marcha do Elefante" noturna em março deste ano (USAF)
A USAF também realizou uma “Marcha do Elefante” noturna em março deste ano (USAF)
 

Dilma corta orçamento para modernizar caças da FAB

Dilma corta orçamento para modernizar caças da FAB

Com a célula revitalizada, o A-1M teve sua vida útil ampliada em mais 20 anos (FAB)
Com a célula revitalizada, o A-1M teve sua vida útil ampliada em mais 20 anos (FAB)
  
Uma alteração na Lei de Orçamento para 2016, decretada pela presidente Dilma Rousseff, nesta quarta-feira (11), autorizou o deslocamento de recursos antes destinados a investimentos para a manutenção em vários órgãos do governo. A maior movimentação aconteceu no quadro da Aeronáutica: uma verba de R$ 101 milhões, antes prevista para dar continuidade ao programa de modernização do caça-bombardeiro A-1 neste ano, agora será aplicada na compra de combustível e revisão das aeronaves atuais.

Esse é mais um golpe no processo de modernização do A-1, designação militar da Força Aérea Brasileira (FAB) para o caça-bombardeiro Embraer-AMX. As novas soluções para a aeronave foram propostas em 2003 e o primeiro protótipo modernizado pela Embraer voou em 2007.

Naquela época, o programa avaliado em US$ 400 milhões previa a modernização de 43 aeronaves no período de cinco anos. Após uma série de contratempos com renegociações de contrato, a primeira aeronave, designada “A-1M”, foi entregue a Aeronáutica somente em 2013. Desde então, a FAB recebeu apenas outros dois caças AMX com a nova configuração.

Nesse mesmo tempo, a força aérea da Itália, o outro usuário do AMX (desenvolvido pela Embraer em parceria com fabricantes italianos), realizou uma modernização semelhante a proposta ao modelo brasileiro em 52 jatos de sua frota. Os italianos atualizaram seus aviões entre 2006 e 2012 e o programa custou US$ 350 milhões.

Já os investimentos nos programas de desenvolvimento do cargueiro militar Embraer KC-390 e parceria para construção do caça Saab Gripen NG, não foram prejudicados no orçamento.


A FAB recebeu apenas 3 jatos A-1M com os novos equipamentos de bordo (FAB)
A FAB recebeu apenas 3 jatos A-1M com os novos equipamentos de bordo (FAB)
Novos equipamentos do AMX

Na ativa com a FAB desde 1989, o A-1 é um avião militar versátil: pode atuar em uma variedade de missões, de caça-bombardeiro à operações de reconhecimento. No entanto, os equipamentos da aeronave da primeira geração, como sensores de busca e controles de armas, estão ultrapassados.

Na versão modernizada, o A-1M é um avião de combate melhor preparado para as ameaças modernas. O design do AMX é o mesmo, mas seu interior contém algumas das tecnologias militares mais avançadas em seu segmento.

Os equipamentos de voo são distribuídos em telas digitais e um novo sistema de geração de oxigênio para a cabine permite ao avião (e ao piloto) voar em grandes altitudes por mais tempo. O A-1M também possui um sistema mais avançado de alerta e contramedidas (flares e chaff) contra mísseis.

 

O novo radar "multi-modo" do A-1M tem alcance de até 80 km (FAB)
O novo radar “multi-modo” do A-1M tem alcance de até 80 km (FAB)

As principais alterações tecnológicas da aeronave são os novos sensores de busca por infla-vermelho e o radar “multi-modo”, que pode atuar em busca de aviões ou mapeando o terreno por onde voa. Esses equipamentos permitem ao A-1M “enxergar” até 80 km à frente e disparar suas armas com precisão.

Durante o processo de instalação dos novos equipamentos, a estrutura e asas dos caças também são completamente revitalizadas, o que aumenta a vida útil programada do avião. Os A-1M da FAB, por exemplo, tem capacidade para continuar voando até meados de 2032. Já os A-1 da primeira geração talvez não consigam seguir na ativa por tanto tempo, ao menos se o programa não for continuado.

Os caça-bombardeiros AMX fabricados pela Embraer são operados pelos esquadrões “Poker” e “Centauro”, na Base de Santa Maria (RS), e pelo esquadrão “Adelphi”, na Base de Santa Cruz (RJ).


Rússia – Trabalha o Mercado da América Latina

O mercado da América Latina representa cerca de 5% das exportações de armamentos russas e o governo de Moscou planeja aumentar esta fatia.

 Brasília — A Rússia realiza uma grande ofensiva no mercado latino-americano nas áreas aeroespacial e de defesa. Como parte deste esforço, a Irkut e a Rosoboronexport apresentaram o Yak-130 para a concorrência para um novo treinador da Força Aérea do Chile. Faz parte dos planos do fabricante integrar um radar brasileiro, o Scipio, entre as versões futuras. O equipamento, fabricado pela MECTRON, foi selecionado pela Força Aérea Brasileira para o projeto de modernização dos aviões de ataque AMX (A-1M, na nomenclatura oficial).

Graças a um Sistema de Controle de Voo (FCS) e a um sistema de comando eletrônico inovadores (Fly by Wire — FBW), o YAK-130 simula o comportamento de aeronaves de combate e de transporte pesado, o que flexibiliza a formação de pilotos e reduz a necessidade de frotas separadas para as missões, diminuindo os custos de manutenção.

Além disto, o avião pode realizar missões de ataque leve ou de vigilância de fronteira. Equipado com datalink, atende aos requerimentos de combate aos crimes transnacionais, como o tráfico de drogas e contrabando de minérios preciosos e de armas.

O portfólio completo da Rosoboronexport ´para as forças aéreas da América do Sul inclui, além do Yak-130, três aviões de caça, o MiG-29M2 e os Sukhoi Su-30 e Su-35; três helicópteros de ataque, o Kamov Ka 52 e os Mil Mi-35 e Mi-28; três helicópteros de transporte, o Kamov Ka-32 e os Mil Mi-17 e Mi-26 (o maior em operação); e leves, Kamov Ka-226 e Mil Ansatt.


Helicópteros

O assento ejetor empregado pelo helicóptero Kamov Ka-52, o único equipado com sistemas de salvamento da categoria, torna o aparelho em uma atração à parte. O sistema desconecta as asas rotativas dos rotores e rompe a proteção blindada do canopy antes de ejetar a tripulação, que se aloja lado a lado na cabine de combate.

A empresa destaca o desempenho dos helicópteros em missões de combate reais. Os três modelos de ataque fabricados pela Federação Russa — os Mil Mi-24 e 35 e o Kamov Ka-52 — foram peças fundamentais para os bons resultados da intervenção de Moscou a favor do governo sírio.

Helicóptero de ataque noturno Mi-28

 No Brasil, a Aviação do Exército prepara um estudo para reformular sua frota. Em lugar de um helicóptero dedicado de ataque, pode ser adotado um modelo de transporte armado. O Mil Mi-17 responde este requerimento com perfeição. Pode carregar 36 soldados armados, pequenas viaturas, artilharia de 105 mm e conta com quatro pontos para carregar foguetes, mísseis e canhões.

O Exército Colombiano emprega seus Mi-8 e Mi-171 como plataforma para mísseis israelenses Spike, guiados a laser, que possuem um alcance de 20 km. Na conferência também foi destacado o grande impacto operacional que a introdução dos Mil Mi-26, o maior helicóptero existente, capaz de transportar cargas de até 20 toneladas, poderia trazer no apoio às atividades de defesa civil, militares, petroleiras e de mineração.

Mi-171 em uso pela Colômbia, Venezuela, Peru e possivelmente em negociação com a Argentina.

A imprensa argentina informa que está em negociação a aquisição de dois Mi-171 para operação na antártica. Operariam com outros dois que os argentinos já operam na região.

No combate a incêndios, chama atenção a capacidade do Ka-32. Trata-se do único helicóptero dotado de um canhão de água frontal que permite seu uso em ambiente urbano. Os produtos da Kamov adotam rotores contrarrotativos colocados verticalmente, o que torna a fuselagem mais compacta, amplia a capacidade de carga e reduz as dimensões do aparelho.

A concepção do Kamov Ka-226 é peculiar. O projeto é modular e containers especiais para cada missão podem ser acoplados à cabine de pilotagem.

 
Caças

A reconhecida maneabilidade dos caças da Sukhoi é um dos pontos de destaque da carteira da Rosoboronexport para a América Latina. O Su-30 é uma estrela dos shows aéreos, com incrível controle horizontal e vertical. Os aparelhos da família iniciada pelo Sukhoi 27 são os únicos capazes de realizar o Cobra Pugachev, na qual o avião se recupera depois de se manter parado no ar com o nariz apontando para trás em um ângulo vertical de 120 graus.

Mig-35 as empresas russas procurar revitalizar a empresa MiG no mercado internacional.


Empregando um radar de varredura eletrônica passiva ele consegue engajar 15 alvos simultaneamente com solução de tiro para oito disparos imediatos. O radar tem uma abertura de 120 graus em todas as posições com um alcance de 400 km para um alvo de 1 m². A carga total é de 8 mil quilos distribuídos em 12 pontos fixos nas asas e fuselagem.

São capacidades impressionantes, mas o Su-35 consegue superá-las. Ele pode controlar 30 alvos inimigos simultaneamente, engajando oito imediatamente. Os dois aviões conseguem operar confortavelmente a 3 mil quilômetros de suas bases sem reabastecimento em voo.

O top Sukhoi Su-35. Na espera do T50 o caça Su-35 é o mais avançado do arsenal russo.


 A Rosoboronexport também apresentou ao mercado latino-americano o MiG-29M2, uma alternativa menos sofisticada que os aparelhos da linha Sukhoi, mas com um radar capaz de acompanhar dez alvos e engajar quatro simultaneamente. A capacidade de carga atinge 6 mil quilos distribuídos em nove pontos fixos.

YAK-130 oferecido como treinador avançado à Força Aérea do Chile, FACh, Na oferta consta a adoção do radar Scipio fabricado pela MECTRON para o AMX A-1M.

 Todos os modelos foram concebidos para um ambiente de rede, com datalinks alimentados por aeronaves de alerta antecipado, estações terrestres e de outros aviões de combate, permitindo que parte da formação fique sem emitir recebendo sinais da aeronave líder. Outra característica importante é a capacidade de acompanhar e de engajar, simultaneamente, alvos aéreos e terrestres.



Mercado civil

Para o público civil, a Irkut e a Sukhoi apresentam o MC-21 e o Sukhoi Superjet 100 (SSJ-100). O MC-21, que se encontra em fase final de montagem, será o primeiro avião russo a empregar superfícies alares totalmente construídas em material composto. Em configuração narrow body de um corredor, a ideia é fabricá-lo em duas versões, capazes de levar até 211 passageiros na versão principal e 173 na de fuselagem reduzida. O aparelho entraria em competição direta com a família 737 da Boeing e cobriria um vazio surgido com a retirada de produção da família 757.

Il-76 atualmente em um extenso processo d modernização. Será um competidor duro ao EMBRAER KC-390
 
 A Sukhoi, por sua vez, mostra como trunfo os bons resultados da operação do SSJ-100 pela empresa mexicana Interjet. O aparelho, que concorre na faixa do Embraer E-190, conseguiu acumular uma excelente folha de serviços nos 30 meses de operação no país latino-americano. A frota, com 20 unidades, acumulou 53 mil horas de voo e apresentou um índice de disponibilidade de 99%.



Mísseis e satélites

A Almaz-Antey pretende colocar uma extensa gama de produtos. A oferta inclui centros de controle de voo civil automatizados e complexos antiaéreos. Entre os equipamentos antiaéreos se encontram armas veteranas, mas inteiramente válidas no ambiente de guerra moderno, como o OSA AKM-1 (responsável pela maioria dos alvos abatidos pelos rebeldes na guerra civil da Ucrânia), Tunguska M1 e o BUK-M2E. O protfólio também inclui sistemas de primeiríssima linha, como o TOR M2 e o S-400 Triumph, superiores aos concorrentes ocidentais. Estes equipamentos, empregados em conjunto, montam uma cúpula de proteção entre as altitudes de 12 a 30 mil metros. O alcance vai de cinco a 325 quilômetros.

Entre as ofertas russas à América Latina se encontram sistemas de radar contra aviões furtivos. O complexo 55Zh6ME

A organização Reshetnev, complexo criado com a união de todas as empresas que ofereciam serviços de satélite, oferece nove constelações de posicionamento global (Glonass) e de comunicação foram apresentadas ao público, uma delas formada por microssatélites para comunicação pessoal.
  



quinta-feira, 5 de maio de 2016

Helicópteros de ataque: Veja quanto custa comprar 24 Kiowa Warrior usados com suas armas (oferecida ao EB em 2014, essa aeronave foi rejeitada)

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O OH-58D é mais uma aeronave de escolta que, propriamente, de ataque

O país comprador é a Tunísia, mas isso é o menos importante.

O objetivo desse texto é mostrar os valores que vêm sendo praticados no mercado de helicópteros militares usados.

Os militares tunisinos receberão 24 exemplares de segunda mão da aeronave Bell OH-58D Kiowa Warrior, de escolta e ataque leve ao solo.

O modelo foi largamente empregado pelo Exército americano no Kuait e no Iraque em 1992.




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A sequência mostra Kiowas do Exército americano no ambiente hostil do Iraque e, em baixo, no inverno do Afeganistão


 Esses helicópteros também foram oferecidos, em 2014, aos exércitos do Brasil e da Argentina. Os argentinos manifestaram interesse nas aeronaves; o Comando da Aviação do Exército brasileiro (CAVEx) dispensou-as, sob o argumento – demasiadamente rígido para uma força terrestre de recursos tão escassos – de que não se tratava, propriamente, de helicópteros de ataque, e sim de aeronaves artilhadas, adaptadas à missão de ataque.


Terrorismo – A venda ao governo de Túnis foi anunciada, nesta terça-feira (03.05), pela Agência de Cooperação para a Segurança e a Defesa (DSCA, na sigla em inglês) do governo dos Estados Unidos.

Em sua justificativa para aprovar essa operação, a DSCA informou que os Kiowa serão empregadas pela Força Aérea Tunisina para conduzir operações de Segurança em fronteiras, incluindo ações militares contra o braço da Al Qaeda no Maghreb Islâmico (AQIM, na sigla em inglês), contra redutos do Estado Islâmico na Líbia e contra o grupo terrorista Ansar al-Aharia Tunisia (AAS-T).

O valor total da operação com os militares tunisinos é de 100,8 milhões de dólares.

Lista – O pacote inclui:

Aeronaves:

– 24 aparelhos tipo Kiowa Warrior, listados como itens do Programa de Artigos de Defesa Excedentes (Excess Defence Articles), dotados de sistemas de navegação (incluindo navegação inercial/GPS) e de comunicações, além de 50 pares de óculos de visão noturna AN/AVS-6;

Sistemas de autodefesa:

– Cada helicóptero estará dotado de um Sistema AN/AAR-57, de alerta contra a aproximação de mísseis (CMWS), que inclui cartuchos de chaffs tipo A965M1, e munição de contramedidas eletrônicas avançadas tipo flare M211 e M212;

Armamento:

– 10 mísseis ar-solo Lockheed Martin AGM-114R Hellfire;

– 06 lançadores M279A1;

– 82 sistemas de guiagem a laser tipo Advanced Precision Kill Weapon System (APKWS), dotadas de ogivas de alto explosivo tipo M152, fabricadas pela BAE Systems americana;

– 01 metralhadora pesada Gatling modelo Dillon M134, de seis canos e elevada cadência de tiro, calibre 7,62 mm por helicóptero (24 armas no total);

– 01 metralhadora Herstal M3P, calibre 12,7 mm, acompanhada de meio milhão de cartuchos por helicóptero (24 armas no total);

– 02 lançadores de foguetes modelo M260, calibre 70 mm, por helicóptero (48 no total);

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O Kiowa Warrior em uma de suas configurações de armamento

 Serviços:

– Treinamento para as tripulações; e

– Documentação técnica.

 O programa de transferência das aeronaves e sua prontificação operacional na Tunísia exigirá o empenho de cerca de dez funcionários do governo americano e 15 representantes do Ministério da Defesa tunisino por, aproximadamente, cinco anos, especialmente nas áreas de treinamento de pessoal e de montagem da infraestrutura de manutenção.

Canadá, Austria, Arábia Saudita, Taiwan, República Dominicana e Australiana utilizam o Kiowa Warrior.

quarta-feira, 4 de maio de 2016

OTAN: comandante Breedlove defende foco na ameaça da Rússia




Os EUA têm poucos recursos de inteligência voltados para a ameaça da Rússia e deve concentrar as suas capacidades técnicas no poderio militar crescente de Moscou, disse o principal comandante militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), Philip Breedlove.

Os EUA começaram a aumentar o número de analistas de inteligência avaliando a Rússia, que chegou a 13 mil no auge da Guerra Fria e depois caiu para o patamar mínimo de 1 mil há três anos, disse Breedlove, em entrevista.

Breedlove afirmou que os EUA precisam de recursos de inteligência mais técnicos, do tipo de satélites espiões que o país usa para monitorar tanto movimentos de tropas quanto campos de treinamento de terroristas, com foco na ameaça da Rússia. "Vemos que a Rússia não aceitou a mão de parceria, mas escolheu um caminho de beligerância", disse o general Breedlove. "Precisamos rever para onde estamos indo."

O general vai deixar o cargo este mês, após três anos na principal posição militar na OTAN, um período em que supervisionou a transformação da aliança do foco em capacidades expedicionárias, como no Afeganistão, para a defesa da Europa ante a agressão da Rússia. Esta semana, o general Breedlove será sucedido pelo general Curtis Scaparrotti, o atual comandante das Forças dos EUA na Coreia e um ex-comandante sênior no Afeganistão.

"Nós não estávamos focados em Rússia quando cheguei há três anos porque ainda estávamos tentando lançar um paradigma que levasse a Rússia para o conjunto de valores ocidentais", disse Breedlove. "A Rússia escolheu um caminho diferente ou eles já estavam nesse caminho e nós não reconhecemos isso."

Autoridades russas disseram repetidas vezes que é a Otan e os EUA que têm sido os agressores, ao expandir a aliança para as fronteiras da Rússia e militarizar a região do Báltico. 

 Fonte: Dow Jones Newswires.

Centro de Lançamento Barreira do Inferno sedia Operação Astros do Exército Brasileiro

Um dos objetivos é testar e desenvolver as tecnologias de interesse da Defesa Nacional
Foto: CLBI
 O Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI), localizado em Parnamirim (RN), sediou a segunda fase da Operação ASTROS 2020/2016, no período de 25 a 28 de abril. A operação está prevista no cronograma de desenvolvimento de sistemas e equipamentos em desenvolvimento da empresa brasileira AVIBRAS, dentro do Projeto Estratégico do Exército Brasileiro ASTROS 2020 (PEE ASTROS 2020).
O Centro Tecnológico do Exército Brasileiro (CTEX), responsável por buscar o domínio e o desenvolvimento de tecnologias de interesse da Defesa Nacional, acompanhou os ensaios e testes que permitem avaliar elevação de performance e desempenho do conjunto de equipamentos e sistemas que compõem os produtos de defesa sob execução da empresa contratada AVIBRAS. “O apoio e a capacidade operacional do CLBI são fatores importantes para que a empresa integradora do projeto possa, com segurança, dar prosseguimento às pesquisas e ao desenvolvimento tecnológico que possibilitará à Força Terrestre contribuir com a dissuasão extrarregional para a defesa do Brasil”, declarou o Gerente do Projeto Estratégico pelo Exército Brasileiro, General de Brigada José Júlio Dias Barreto.

Foto: CLBI
Essa fase da operação contou com a participação da Marinha do Brasil, por meio do 3° Distrito Naval, que levou os Navios Patrulha Goiana e Graúna, além do Rebocador de Alto Mar Triunfo, lotados na Base Naval de Natal. Eles auxiliaram na vigilância e remoção das embarcações nas proximidades dos possíveis impactos dos artefatos lançados, o que promoveu um desempenho diferenciado na cadência de lançamentos.

De acordo com o Vice-Presidente da AVIBRAS, Flávio Cunha, o CLBI é o cenário ideal para o exercício das equipagens do PEE ASTROS 2020. “O incondicional profissionalismo, amparado pela capacidade técnica dos servidores do CLBI, aliado às condições de segurança, facilidade logística e disponibilidade de meios operacionais são elementos balizadores para o sucesso da parceria bem como das operações”, avaliou.

Foto: CLBI
 A primeira fase foi realizada no período de 22 a 26 de fevereiro e há a previsão de mais duas fases ainda este ano. O Diretor do CLBI, Coronel Aviador Paulo Junzo Hirasawa, destacou a importância da parceria com a AVIBRAS. “Inserida no calendário operacional do CLBI, a Operação ASTROS 2020, que se encontra na décima terceira fase e com planejamento de operações até, no mínimo, dezembro de 2018, faz com que a cadência de atividades operacionais se torne mais elevada, proporcionando uma contínua e adequada capacitação de recursos humanos e materiais para campanhas de veículos espaciais, atividade-fim da unidade, pois são envolvidos todos os meios de preparação, lançamento e rastreio, similar a uma operação de lançamento de foguetes suborbitais”, afirmou.


Exército Brasileiro realiza Operação AZOTO




 No preparativos para os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos Rio 2016, o Exército Brasileiro iniciou ontem a Operação AZOTO, que ocorre simultaneamente em 15 estados brasileiros.

 Coordenada pelo Comando Logístico (COLOG), por intermédio da Diretoria de Fiscalização de Produtos Controlados (DFPC), ela acontece no ambiente interagências e tem por objetivo cooperar com as ações preparatórias para o grande evento com finalidade de fiscalizar o controle da produção, armazenamento, comercialização, transporte e utilização do Nitrato de Amônio (NH4NO3), produto utilizado como matéria-prima para explosivos, atividade realizada com as adaptações necessárias designadas pela Diretoria de Fiscalização de Produtos Controlados (DFPC).


O Azoto ou Nitrato de Amônio pode ser usado para fabricar dispositivos explosivos improvisados.

 A operação será desencadeada pelas equipes de Fiscalização de Produtos Controlados, integrantes do Sistema de Fiscalização de Produtos Controlados (SisFPC), no exercício do Poder de Polícia Administrativa, Assistência Jurídica e Operações de Informações, além dos Órgãos de Segurança e Ordem Pública (OSOP) e agências governamentais dos estados envolvidos. Todo o trabalho realizado visa garantir a segurança das pessoas e do patrimônio e prevenção contra ilícitos que possam afetar os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos Rio 2016.

 Além de matéria-prima para explosivos, o nitrato de amônio (NH4NO3) também compõe a cadeia de produção  de fertilizantes agrícolas. Sua inclusão no foco da operação de Fiscalização de Produtos Controlados é justificada pelo fato de ter havido registro em outros países de explosões acidentais (em depósito) e intencionais (por terroristas) desse produto químico.

O voo inaugural do helicóptero Ka-62

O Ka-62 incorpora tecnologias de ponta da área de asas rotativas.

O protótipo identificado por OP-1 do helicóptero russo multifuncional médio Ka-62 decolou pela primeira vez na última semana O voo inaugural aconteceu nas instalações da companhia Progress Arsenyev, pertencente à Russian Helicopters, e que é parte do conglomerado russo Rostec. De acordo com a companhia, a primeira ascensão vertical, modo que faz parte do conjunto de testes de voo, foi bem sucedida.

O Ka-62 OP-1 será empregado para avaliar todas as performances da aeronave e provar o seu principal sistema de potencia e avionica. Na ocasião o helicóptero foi operado por pilotos do Kamov Bureau Design, principal desenvolvedora do modelo. Ensaios em solo incluindo taxiamento em velocidades varidas antecederam a primeira decolagem.

Alexander Mikheev, CEO da Russian Helicopters, avaliou o evento como muito significativo para a companhia. Mikheev disse que o Ka-62 complementará as versões civis dos conhecidos e bastante produzidos para o mundo helicópteros Mi-8/17 e atenderá à demanda do nicho de helicópteros da classe de peso de decolagem entre 6 e 7 toneladas.

Conforme a Russian Helicopters, o Ka-62 foi desenvolvido para um amplo leque de tarefas, entre elas, transporte de passageiros, operações de salvamento e atividades na área de óleo e gás. Dotado de cabine espaçosa e confortável, a aeronave é ideal para operações corporativas. A fabricante afirma que a elevada  razão potencia/peso do Ka-62 permite seu emprego em climas quentes e acima d’agua.


segunda-feira, 2 de maio de 2016

Embraer apresenta resultados do 1º trimestre

 



 O Grupo Embraer divulgou o balanço dos resultados obtidos no 1º trimestre de 2016. A seguir reproduzimos os principais destaques e um panorama das atividades da divisão de Defesa & Segurança (EDS) da corporação.

Em fevereiro de 2016 o jato Phenom 100 foi selecionado para realizar o treinamento dos pilotos das forças armadas do Reino Unido em aeronaves multimotor. O contrato assinado com a Affinity Flight Training Services prevê a aquisição de cinco aeronaves para o programa Military Flight Training System (MFTS), do Ministério da Defesa do Reino Unido. O contrato também inclui um pacote de serviços e opções para aeronaves adicionais.

Contrato com a Affinity Flight Training Services prevê cinco Phenom 100 para o programa MFTS (Imagem: Embraer)

 No programa KC-390, a segunda aeronave protótipo saiu da linha de montagem e iniciou a campanha de ensaios em solo, com o primeiro voo programado para o segundo trimestre de 2016. Durante a FIDAE, no Chile, foi anunciada a escolha da empresa alemã Rheinmetall Defence Electronics and Training para desenvolver e entregar dispositivos de treinamento para a aeronave.
Segundo protótipo do KC-390 fara voo inaugural neste trimestre. (Imagem: Agência Força Aérea)

  O Programa do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicação (SGDC), cuja integração está sob responsabilidade da Visiona Tecnologia Espacial, continua com o seu cronograma, bem como todas as entregas contratuais, aderente ao planejado. A plataforma do satélite encontra-se na câmara termo vácuo para teste ambiental, as duas antenas de 13 metros foram instaladas em Brasília e Rio de Janeiro e o sistema de solo está em fase final de instalação e validação em Brasília.


O SDGC deve ser colocado em órbita no início de 2017 (Imagem: Embraer)






Recentemente, a Visiona lançou o serviço de fornecimento e análise de imagens de satélites, por meio de uma constelação de 22 satélites, com o objetivo de desenvolver grandes projetos de sensoriamento remoto no Brasil e países vizinhos. Em 2016, a Visiona já celebrou seis contratos. A Savis Tecnologias e Sistemas realizou, em fevereiro de 2016, em conjunto com o Exército Brasileiro, um evento de demonstração de capacidades do SISFRON, com a presença do Ministro de Estado da Defesa, para uma comitiva composta por Embaixadores de Países Árabes (Palestina, Catar, Líbano, Kuait, Tunísia, Líbia, Mauritânia, Argélia, Emirados Árabes Unidos, Egito, Sudão, Iraque, Liga Árabe, Marrocos e Jordânia). O evento foi realizado em Dourados/MS e contou também com a participação do governador do Mato Grosso do Sul e de outras autoridades governamentais e civis.

Com relação ao Programa F-39 Gripen NG, da Força Aérea Brasileira, já há 47 engenheiros da Embraer D&S na Suécia participando do processo de transferência de tecnologia assim como os sete enviados pela Atech. O Centro de Projeto e Desenvolvimento do Gripen NG encontra-se em construção em Gavião Peixoto (SP), com a previsão de estar operacional ainda em 2016.



Grupo de 47 engenheiros da Embraer D&S já trabalham no Gripen NG (Imagem: Saab)



Com relação à área de serviços e suporte, a Embraer fechou contratos com a Affinity para suporte logístico de pós-garantia para aeronaves Phenom 100, com a empresa Urban Group para a revitalização do interior do Legacy 600 e com Burkina Faso para suporte a frota dos Super Tucanos daquele país.

Em março, a Bradar assinou um contrato com a Marinha do Brasil para o desenvolvimento do protótipo operacional do radar GAIVOTA-S.

No 1T16, a Atech assinou três termos aditivos: um para cinco Centros de Controle de Rotas em São Paulo, Rio de Janeiro, Atlântico, Recife e Curitiba; e outro para o Sistema Integrado de Gestão de Movimentos Aéreos (SIGMA); e o terceiro relacionado ao Programa H-XBR. A Atech também concluiu a instalação e os testes de aceitação do sistema de controle de tráfego aéreo SAGITÁRIO no Centro de Aproximação de São Paulo e a instalação do hardware do novo sistema AMHS. Ambos os sistemas devem estar em operação para suporte aos Jogos Olímpicos.

Ainda em março, a Embraer anunciou que vai consolidar as operações das empresas afiliadas Savis Tecnologia e Sistemas S.A. e Bradar Indústria S.A.. A decisão tem como objetivo aumentar a geração de valor para os funcionários, clientes e acionistas. A união da competência as duas empresas permitirá oferecer soluções integradas com grande potencial para os mercados nacional e externo, contribuindo para o processo de diversificação da base de clientes da Embraer Defesa & Segurança e da ampliação do portfólio de produtos e serviços.

Guerra Fria ressurge no Mar Báltico




frota Russa no Mar Báltico




KALININGRADO, Rússia – O museu marítimo dessa área russa no Mar Báltico fica cheio todos os anos com a Assembleia Internacional da Água, uma parada que reúne embarcações históricas de toda a região, tripuladas por marinheiros com roupas de época navegando nas águas do Rio Pregolya. Mas, este ano, segundo a diretora-fundadora do Museu Mundial do Oceano de Kaliningrado, Svetlana Sivkova, participantes que sempre vinham da Lituânia e da Polônia ameaçaram ficar em casa.

— Eles disseram que não poderiam vir porque poloneses e lituanos estão apanhando nas ruas de Kaliningrado — disse Svetlana, que está assustada com o que afirma ser uma mudança brusca e inesperada nos ânimos. — Estamos falando de pessoas inteligentes e bem formadas. Essa é uma propaganda terrível. Precisamos explicar que isso não é verdade, que somos pessoas abertas.

Kaliningrado — tanto a cidade, quanto a região de mesmo nome — era o coração da Prússia Oriental e um reduto alemão por 500 anos, antes que o Exército Vermelho tomasse a cidade do Terceiro Reich em 1945. Nos primeiros 25 anos desde o colapso da União Soviética, Moscou trabalhou duro para que Kaliningrado perdesse a reputação de uma área armada e fechada aos estrangeiros.

Atualmente, o Kremlin parece determinado a fazer exatamente o contrário, e autoridades militares ocidentais veem o Mar Báltico como uma das principais áreas de conflito com o ressurgimento das tensões entre Ocidente e Oriente.

Um dos incidentes mais graves dos últimos anos ocorreu no dia 12 de abril, a cerca de 130 quilômetros de Kaliningrado, onde dois aviões russos Su-24 passaram perto do destróier norte-americano Donald Cook, simulando um ataque. Um dos aviões rugiu a apenas 9 metros da embarcação, de acordo com autoridades do Pentágono, levando a protestos em Washington.

Logo após o fim da União Soviética, Moscou tentou transformar Kaliningrado, que fica a pouco mais de 322 quilômetros da Rússia, em uma espécie de zona franca como Hong Kong. Fábricas de carros, produtos eletrônicos e móveis surgiram aos montes. Depois que o governo da província negociou viagens sem necessidade de visto para áreas na fronteira com a Polônia, um outlet da Ikea em Gdansk se tornou praticamente uma colônia russa.

— Mais pessoas iam à Europa do que para a Rússia — afirmou Ilya Shumanov, representante local da Transparência Internacional, uma organização anticorrupção com sede em Berlim.

Contudo, nos último anos Moscou encheu Kaliningrado de armas pesadas, de acordo com analistas, equipando bases secretas com o avançado sistema de mísseis antiaéreos S-400, além de mísseis móveis terra-mar. A Rússia também realizou manobras militares com o uso de Iskanders, um míssil balístico de curto alcance capaz de carregar ogivas nucleares.

Durante um depoimento no congresso americano em fevereiro, o General Philip Breedlove, comandante da Otan, descreveu Kaliningrado como uma “propriedade fortemente armada” e uma “bolha completa” capaz de impedir ataques por ar, terra e mar. Com as recentes incursões militares russas na Crimeia, no leste da Ucrânia, e na Síria, o Presidente Vladimir Putin fez o mundo todo se perguntar onde mais seu governo vai interferir.



 ‘Equilíbrio geral é negativo para a Otan’


Em vista de sua política de salvaguardar populações de etnia russa que foram separadas da pátria após o fim da União Soviética, muitos temem que o próximo alvo sejam os Estados bálticos: Estônia, Letônia e Lituânia — todas as três ex-repúblicas soviéticas e atuais membros da União Europeia e da OTAN.

Um ataque contra esses países faria entrar em ação o tratado de defesa mútua dos países da Otan. Qualquer tentativa de defender essas nações exigira a passagem por Kaliningrado, incrustado entre a Polônia e a Lituânia.

Nos poucos conflitos em que a Otan interveio, a organização sempre demonstrou uma enorme força, mas em Kaliningrado a situação poderia ser diferente.
— O equilíbrio geral é bem negativo para a otan — afirmou David A. Shlapak, principal autor do novo estudo da RAND Corp. sobre os países bálticos.
Os russos da região concordam, embora não acreditem na possibilidade de uma guerra. Em Baltiysk, lar da Frota Báltica e do posto militar mais ocidental da Rússia, pescadores grisalhos se alinhavam à beira do mar, ignorando as corvetas modernas que singravam.

As forças da Otan que resolverem atacar Kaliningrado “sairão com os dentes quebrados”, afirmou um pescador mal encarado. Veterano da marinha, ele estava aos pés de um símbolo do poder e da glória da Rússia: uma gigantesca estátua equestre da Imperatriz Elizabeth Petrovna voltada para o Ocidente.
Os habitantes de Kaliningrado, observando as forças se aproximando cada vez mais da Rússia nos últimos anos, geralmente parecem apoiar o reforço militar.

— Se você é meu vizinho e fica lá sentado com um machado nas mãos, eu também vou pegar meu machado. Isso é estúpido, mas muita gente anda dizendo que armas foram trazidas pela fronteira russa, então é preciso ter alguma paridade — afirmou Svetlana, a diretora do museu.

Ainda assim, as pessoas afirmam que ver a cidade como uma fortaleza russa causa muita confusão. No centro de Kaliningrado, o Vorota Cafe e uma galeria enchem o Portão Sackheim, que sobrou dos muros neo-góticos construídos no século XVII. Partes da cidade ainda se parecem com a Alemanha, incluindo alguns subúrbios cheios de casas ao estilo Grunderzeit.

Os jovens donos do café queriam um espaço artístico como os de Amsterdã e Berlim e ficaram surpresos com uma pergunta sobre o novo conflito entre Ocidente e Oriente.
— Essa é uma pergunta estranha, porque nos vemos como uma ponte, não como uma zona de conflito — afirmou Eugene Makarkhin, um engenheiro de computadores de 26 anos.
Ainda assim, é possível perceber o resultado da deterioração das relações entre a Rússia e o Ocidente em toda Kaliningrado.

A BMW, uma das principais empregadoras da província, abriu mão dos recentes planos de expansão em vista da queda de 40 por cento na venda de veículos na Rússia. A ajuda econômica dada pela Suécia foi interrompida depois de décadas e os intercâmbios culturais foram limitados.
Até a crise da Ucrânia, a flotilha mais perigosa que havia saído de Kaliningrado em direção à Suécia era o esgoto não tratado jogado no Mar Báltico.

- Kaliningrado é um dos últimos pontos de conflito — afirmou Anna Tufvesson, coordenadora regional de projetos ambientais da Agência Sueca de Cooperação para o Desenvolvimento Internacional.

Kaliningrado, lar de quase metade do um milhão de habitantes da província, foi a última grande cidade báltica sem uma estação de tratamento de água moderna. A Suécia ajudou a cidade a construir 30 estações no sul da região báltica desde o colapso da União Soviética. O sistema alemão de Kaliningrado, construído em 1928 e ainda em uso, filtrava apenas bicicletas velhas, cachorros mortos e quase nada mais, afirmou Anna.

A estação de tratamento de esgoto moderna deve entrar em operação até o fim de 2016, depois de anos de atrasos. Anna espera que toda a ajuda econômica sueca seja interrompida em 2018.
A ajuda é mais uma das vítimas das penalidades econômicas impostas após o conflito na Ucrânia. As sanções também proibiram empréstimos por parte dos bancos de desenvolvimento europeus.

— A cooperação com os países europeus foi uma boa fonte de dinheiro barato e agora não temos mais essa possibilidade. Graças às sanções, os projetos estão congelados — disse Alexander N. Ivaschenko, responsável pela rede de abastecimento de água de Kaliningrado.

Os confrontos estão dando fim à cooperação. Putin alimentou as preocupações do Ocidente em relação a um conflito báltico ao ordenar a realização de exercícios militares no noroeste da Rússia, em violação deliberada do espaço aéreo da OTAN. Embora as autoridades militares e especialistas de ambos os lados afirmem que uma guerra seja improvável, planos de contingência continuam a ser realizados. A Suécia e a Finlândia, vizinhas da Rússia que já juraram neutralidade, estão começando a pensar no impensável prospecto de se unirem à OTAN.

O rublo desvalorizado fez os russos pararem de comprar na Polônia ou de ir a shows na Lituânia. Agora eles não se sentam bem vindos.


Albert Prokhorchuk, diretor-geral da Baltma Tours, que no ano passado perdeu cerca de 25 por cento dos visitantes vindos da Alemanha, afirmou: — Se você ouve o noticiário da Letônia ou da Lituânia, dá vontade de rir. O presidente da Lituânia anda dizendo que as pessoas têm que se esconder nos porões porque os russos estão chegando.

Presidente Xi executa maior reforma no Exército chinês

J 15 Naval

Desde que assumiu, em 2013, Xi Jinping tenta remodelar o modelo China, deslocando a matriz econômica das exportações e investimento em infraestrutura para o consumo interno. Também mexe em instituições-chave do país, inclusive expurgando altos membros do Comitê Central do Partido Comunista Chinês, das Forças Armadas e de importantes estatais, alguns dos quais acabaram presos por suspeita de corrupção. Agora, o presidente chinês iniciou o que analistas veem como a mais arriscada reforma: a maior reestruturação desde os anos 1950 do Exército de Libertação Popular, o principal núcleo militar do país.

A ideia é transformar a estrutura militar chinesa, baseada no modelo grandioso do Exército Vermelho soviético e construída para defender as fronteiras do país contra inimigos externos potenciais, numa força moderna e mais enxuta, com capacidade de projetar o poder chinês para muito além de suas fronteiras. O foco se desloca, assim, de uma lógica defensiva para outra, expansiva. Segundo informou o “Wall Street Journal”, a reforma será implementada até 2020. No entanto, certamente enfrentará resistências internas e externas.

Se for efetivada, a mudança permitirá que a China possa realizar operações militares em regiões distantes, como o Oriente Médio e a África, rivalizando com outras grandes potências, como EUA e Rússia, que, na gestão de Vladimir Putin, tem atuado na guerra civil síria e no conflito na Ucrânia. O país, aliás, recentemente ampliou a frota naval, com submarinos nucleares, gerando mal-estar nos EUA.

Mas no caso chinês trata-se de uma profunda mudança de paradigma para uma nação constituída culturalmente por uma postura isolacionista desde, pelo menos, a Dinastia Ming, no século XV. Embora Xi possa citar a contribuição que uma China mais atuante internacionalmente poderá dar, por exemplo, na luta antiterror e em iniciativas de ajuda humanitária, os impactos geopolíticos potenciais são enormes. Sobretudo na Ásia e em rotas comerciais marítimas, onde já se vislumbram a escalada de conflitos com os EUA no Mar da China.

Além disso, a reestruturação das Forças Armadas ocorre num momento em que a economia do país preocupa o mundo, diante dos sinais de bolha financeira que começam a se acumular no horizonte chinês. A combinação crise econômica e poder militar não costuma dar boa rima.

quinta-feira, 28 de abril de 2016

Coreia do Norte fracassa em novo teste de míssil intermediário feito às pressas, diz Seul

foto-meramente-ilustrativa
foto-meramente-ilustrativa




 SEUL (Reuters) – A Coreia do Norte disparou o que parece ser um míssil de alcance intermediário nesta quinta-feira, mas o artefato caiu segundos após o lançamento de teste, informou o Ministério da Defesa da Coreia do Sul, no segundo fracasso do tipo às vésperas do congresso do partido governista na semana que vem.


 A isolada Coreia do Norte vem realizando uma série de lançamentos de mísseis, em violação a resoluções da Organização das Nações Unidas (ONU), e testes de tecnologia militar antes do congresso do Partido dos Trabalhadores, que começa em 6 de maio, e aparentemente o disparo desta quinta-feira foi feito às pressas, de acordo com um especialista de defesa de Seul.

 Uma autoridade do Ministério da Defesa sul-coreano disse à Reuters que o lançamento, ocorrido por volta das 6h40 do horário local nas proximidades de Wonsan, cidade da costa leste norte-coreana, parece ter sido de um míssil Musudan, que tem alcance de mais de 3 mil quilômetros.

 “Eles estão com pressa para mostrar algo que deu certo, para cumprir o cronograma de um evento político, o congresso do partido”, disse Yang Uk, pesquisador veterano do Fórum de Defesa e Segurança da Coreia e conselheiro de formulação de políticas da Marinha sul-coreana.

 “Eles precisam ter sucesso, mas continuam fracassando. Não tiveram tempo suficiente para consertar ou modificar tecnicamente o sistema, simplesmente o dispararam porque estavam com pressa”, afirmou.

 O aparente fiasco desta quinta-feira marca mais um revés para o líder da Coreia do Norte, Kim Jong Un. Um lançamento de míssil semelhante realizado em 15 de abril, aniversário de seu avô e fundador da nação, Kim Il Sung, explodiu, o que o Departamento de Defesa dos Estados Unidos classificou como um fracasso “incendiário, catastrófico”.

 Alguns especialistas haviam previsto que a Coreia do Norte esperaria até descobrir o que deu errado no lançamento anterior do míssil Musudan antes de tentar novamente, um processo que poderia levar meses e um sinal de que o disparo desta quinta foi apressado.

 Mas, na terça-feira, a agência de notícias sul-coreana Yonhap relatou que Pyongyang parecia estar preparando o segundo disparo de um Musudan, que teoricamente tem capacidade de atingir qualquer parte do Japão e o território norte-americano de Guam. De acordo com a Coreia do Sul, o míssil jamais foi bem sucedido nos testes de voo.

quarta-feira, 27 de abril de 2016

EUA enviam caças F-22 ao leste da Europa para tranquilizar aliados da Otan temerosos da Rússia



 Os Estados Unidos iniciaram sua maior mobilização de caças F-22 na Europa com uma visita ao Mar Negro para a realização de um exercício, cuja meta é reforçar o apoio militar aos aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) no leste europeu que dizem enfrentar agressões da Rússia.
 
Em 2014, o presidente norte-americano, Barack Obama, prometeu fortalecer as defesas dos membros da Otan do leste da Europa que se assustaram quando a Rússia anexou a península ucraniana da Crimeia e o Kremlin usou forças pró-Moscou no leste da Ucrânia.

Um avião de reabastecimento KC-135 dos EUA voou com dois caças F-22 Raptor da Grã-Bretanha à base aérea Mihail Kogalniceanu, na Romênia, disse um repórter da Reuters que acompanhou a missão.

Os EUA enviaram doze F-22s --que são quase impossíveis de detectar com radares e tão avançados que o Congresso norte-americano proibiu a empresa Lockheed Martin de vendê-los no exterior-- para Lakenheath, base britânica localizada no leste da Inglaterra.

O Ocidente está procurando aumentar a defesa de seu flanco do leste e tranquilizar os membros da Otan na região, que passaram décadas sob domínio russo, mas sem provocar o Kremlin com o posicionamento de grandes forças de forma permanente.

Mesmo assim as tensões estão aumentando, e a Rússia diz que o reforço da Otan está dando combustível para uma situação perigosa. Dois aviões de guerra russos realizaram simulações de manobras de ataque perto de um destróier lançador de mísseis teleguiados dos EUA no Mar Báltico no início de abril, afirmaram autoridades norte-americanas, segundo as quais a embarcação realizava tarefas rotineiras perto da Polônia.

Obama garanta apoio militar ao leste europeu

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ratificou neste domingo sua decisão de enviar tropas ao leste da Europa e ressaltou a importância de os membros da OTAN aumentarem seus orçamentos de defesa perante as "pressões" do sul, a "agressiva" postura da Rússia e sua "enorme despesa" militar.
 
Em entrevista coletiva em Hannover, na Alemanha, após uma reunião bilateral com a chanceler alemã, Angela Merkel, Obama se referiu à próxima reunião da OTAN que será realizada em julho na Polônia e defendeu "manter uma Aliança forte" para garantir a defesa coletiva. Neste contexto, lembrou o anúncio feito por seu governo para desdobrar forças rotatórias no leste da Europa, incluindo os países bálticos.

"Temos a obrigação de defender todos os aliados e faremos isso", manifestou.

Obama lembrou também a declaração adotada na última cúpula, realizada no País de Gales em 2014, onde os aliados se comprometeram a avançar rumo ao objetivo de destinar 2% do PIB ao orçamento de defesa em no máximo dez anos.

Em sua opinião, é importante trabalhar esse objetivo para "manter a capacidade de defesa para prevenir guerras" e estar em condições de "lançar um sinal forte" de que a Aliança é capaz de fazer frente aos novos desafios enfrentados pela Europa e por todo o mundo.

Turquia vai instalar baterias antimísseis dos EUA na fronteira com a Síria

A Turquia chegou a um acordo com os Estados Unidos para instalar e, maio baterias antimísseis americanas na fronteira com a Síria, para enfrentar os ataques cada vez mais frequentes do grupo Estado Islâmico (EI), anunciou ministro das Relações Exteriores.

"Chegamos a um acordo para instalar do lado turco da fronteira (mísseis antimísseis) HIMARS (High Mobility Artillery Rocket System)", afirmou o chanceler Mevlüt Cavusoglu ao jornal Habertürk.

Desde o início do ano, quase 40 foguetes disparados de zonas na Síria controladas pelo EI mataram 17 civis na localidade turca de Kilis (sudeste), segundo o governo de Ancara.

No domingo, um ataque com foguetes deixou dois mortos e 25 feridos nesta cidade, que recebe muitos refugiados sírios.

As baterias HIMARS podem ser instaladas em locais distintos graças a sua mobilidade e são muito eficientes por ter um alcance de 90 km, contra os 40 km da artilharia turca que bombardeia as posições extremistas após cada ataque contra seu território.


Aviação de Caça Brasileira



 22 de abril de 1945. O céu amanheceu encoberto na base brasileira em Pisa, na Itália. A aparente calmaria na pista de decolagem escondia o intenso movimento do 1° Grupo de Aviação de Caça nos últimos dias. Sob o comando do major Nero Moura, os pilotos se preparavam para mais um dia de combate, sendo que aquele dia ficaria especialmente marcado para sempre com o maior número de surtidas diárias e os melhores resultados obtidos.

 Passava das 8 horas, quando o ronco do primeiro P-47 ecoou pela pista de decolagem de Pisa. Em terra, o ritmo de preparação continuava acelerado para dar conta das demais missões planejadas para aquele dia. Contrapondo-se à frenética rotina, pairava um clima de preocupação evidente, pois as estatísticas em combate indicavam pelo menos três aeronaves abatidas por mês. Pouco antes do meio-dia, começavam a voltar as primeiras esquadrilhas, sem nenhuma baixa.

1945, batismo de fogo na Itália do 1ºGAvCa durante a II Guerra Mundial. (Imagem: Arquivo Histórico da FAB)

Em todas as saídas, os pilotos despejavam suas bombas em pontos estratégicos e passavam a procurar alvos de oportunidade, como colunas de tanques e transportes de suprimentos.

A última missão do dia foi a mais dramática. Das quatro aeronaves, três retornaram. Ao mergulhar sobre um alvo, seguindo seu líder, um dos pilotos foi atingido e teve que saltar de paraquedas, ficando desaparecido até o final da guerra.

Essas emoções incomparáveis foram vividas por jovens pilotos brasileiros, heróis que honraram o nome do Brasil e da então jovem Força Aérea Brasileira.

Após o fim da guerra e retorno para casa, o desafio passou a ser a implantação e o desenvolvimento da Aviação de Caça no Brasil, que foi cumprido com a mesma determinação dos dias de conflito.

1953, Gloster Meteor,o primeiro caça a jato da FAB (Imagem: Arquivo Histórico FAB)
O tempo passou e o Trator Voador, que tanto tiro levou e que muita bomba despejou contra as forças oponentes nos céus italianos, já não acompanhava a evolução tecnológica vivida no mundo inteiro.

A máquina mudou. Os valores não. Deste então já foram formados mais de 1.600 novos caçadores. Todos herdaram a vibração, o profissionalismo, a coragem e a paixão pelo desafio e pela Aviação de Caça.

Hoje, os jovens caçadores recém-formados na Academia da Força Aérea têm seu batismo inicial na aeronave A-29 Super Tucano, aprendendo a empregá-la como plataforma d´armas, no cumprimento das mais diversas ações de Força Aérea.

1973, Mirage III, a FAB entra na era supersônica. (Imagem: Arquivo Histórico FAB)
Após adquirir a experiência necessária são selecionados para voar a primeira linha da Aviação de Combate, desta feita no comando de máquinas velozes e com tecnologia embarcada de última geração, as quais, em caso de ameaça externa à soberania e à independência nacionais, serão as primeiras a cruzarem as linhas inimigas e enfrentarem qualquer tipo de desafio para garantir a paz às famílias brasileiras.

Refiro-me às aeronaves A-1M, capazes de conduzir grande quantidade de armamento e adentrar em profundidade no território inimigo para atingir os objetivos estratégicos com precisão.

Do mesmo modo, ressalto a capacidade das aeronaves F-5M, equipadas com mísseis de longo alcance utilizados em Combates Além do Alcance Visual, responsáveis por garantir soberania do espaço aéreo brasileiro, impedindo que vetores hostis invadam as nossas fronteiras territoriais.

2016, F-5M, espinha dorsal da aviação de caça da FAB (Imagem: Agência Força Aérea)
Como parte indispensável do seu constante processo de renovação e aperfeiçoamento tecnológico, aguarda-se a chegada das aeronaves Gripen NG, que, por sua característica multimissão, serão capazes de elevar o Brasil a um patamar mais alto de poderio militar, mantendo a sua singular importância no cenário da América do Sul e também no mundo.

A evolução continuada da Aviação de Caça tem permitido a a produção de doutrinas mais eficientes e criado uma espiral operacional de conhecimento e de capacidades que impulsionam cada militar para a profissionalização da Força, dando continuidade ao que foi ensinado por aqueles jovens combatentes nos céus da Itália.

Hoje, vivemos um estimulante desafio com a implantação da “Força Aérea 100”, cuja premissa básica aponta para uma organização mais ágil e mais eficiente, tanto no planejamento quanto na execução das suas atividades, adequando-se às prováveis limitações de recursos e às incertezas do ambiente externo, sem perder qualidade no cumprimento de sua missão constitucional.

E entre todos os benefícios, o avanço da fronteira tecnológica será o diferencial da FAB no futuro, em cooperação com as demais Forças Armadas Brasileiras, para que a capacidade operacional seja incrementada ao máximo.

Em 2041, no seu centenário, a Força Aérea terá muito o que comemorar, operacional e administrativamente. E nada seria possível se não fosse a determinação, o profissionalismo e a coragem de cada militar para enfrentar os novos desafios que se descortinam. Tais características, tão peculiares aos pilotos de caça, foram herdadas dos heróis brasileiros da campanha na Itália e sempre serão a base dos valores dessa gloriosa aviação.

2019, F-39 (Gripen NG), o futuro caça da Força Aérea Brasileira. (Imagem: Agência Força Aérea)

As experiências do 1º Grupo de Aviação de Caça, originadas em tempo de guerra e transmitidas por gerações de pilotos, influenciaram significativamente as formulações doutrinárias ora praticadas. O alto padrão de eficiência e eficácia, mantidos todos esses anos, demonstram que em cada componente desta aviação ainda vive o espírito heroico dos seus antecessores. Pioneiros que viveram intensas emoções e que fizeram a diferença no marcante dia 22 de abril de 1945.

 Fonte: http://tecnodefesa.com.br/